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SOBRE MIM

Yoga, arquitetura e um jeito próprio de olhar para o cotidiano.

Sou arquiteta e urbanista, instrutora de Yoga e, depois de me aventurar a escrever um livro, talvez aspirante a escritora. Acima de tudo, uma pessoa em permanente construção.

Gosto de estrutura, mas também do que escapa dela. Gosto de entender, questionar, desmontar e reorganizar. Talvez por isso eu tenha encontrado no Yoga não uma resposta pronta, mas outra maneira de fazer perguntas.

Gosto do silêncio externo. Talvez porque, às vezes, meu silêncio interno pareça uma caixa de som distorcida tocando música eletrônica — pensamentos sobrepostos, ruído demais e nenhuma tecla para baixar o volume.

Musicalmente, transito sem cerimônia entre o ritmo forte do rock e o som meditativo das frequências para relaxar. No caminho, cabe quase tudo — inclusive algumas escolhas musicalmente duvidosas das quais não pretendo me defender.

Não preciso vestir um personagem para legitimar minha prática. Nem assumir uma estética imposta, adotar tatuagens temáticas, usar dreadlocks ou incorporar qualquer outro estereótipo para parecer mais próxima do Yoga. Também não preciso gostar de determinados artistas, músicas, lugares ou hábitos simplesmente porque parecem combinar com esse universo.

O Yoga não precisa mudar quem sou para fazer parte de quem eu sou.

PREFIRO SER REAL A PARECER ZEN

Não cheguei ao Yoga porque tinha a vida resolvida. Talvez tenha ficado justamente porque não tinha. A prática não me transformou em alguém permanentemente calma, equilibrada ou iluminada.

Continuo tendo pressa, dúvidas e contradições. Tenho dias disciplinados e outros nem tanto. Planejo, reorganizo, começo novamente. Às vezes consigo respirar antes de reagir. Outras vezes percebo que deveria ter respirado só depois de já ter reagido. E tudo bem.

Entre família, trabalho, projetos, esporte, Yoga, relações, responsabilidades e tudo aquilo que ainda quero construir, continuo tentando descobrir como ocupar o tempo sem deixar de estar presente nele.

Carrego minhas malas cheias de memórias, pessoas, lugares, afetos, escolhas, histórias, tropeços, mudanças de rota e versões de mim que ficaram pelo caminho, mas que, de alguma forma, continuam viajando comigo.

Não tenho interesse em apagar as partes difíceis apenas para deixar a história mais bonita.

Gosto de ordem, talvez seja coisa de arquiteta. Mas a vida já me mostrou algumas vezes que nem tudo que importa aceita planta, cálculo ou planejamento.

Se não fosse o caos, não seria eu.

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